Os tipos de zumbido no ouvido

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De que forma podemos classificar o zumbido nos ouvidos? Há diversas formas de classificação do zumbido no ouvido. Alguns pesquisadores constituem uma graduação com relação à gravidade do zumbido. Tal graduação é dividida em seis graus, de 0 a 5, de acordo com a intensidade do sintoma:

  1. O zumbido não está presente.
  2. O zumbido está presente se eu prestar atenção, mas não é muito irritante e pode ser normalmente ignorado.
  3. O zumbido é frequentemente irritante, porém pode ser ignorado a maior parte do tempo.
  4. É difícil ignorar o zumbido, mesmo com esforço.
  5. O zumbido está presente a um nível irritante e frequentemente causa considerável sofrimento.
  6. O zumbido é mais do que irritante, causando um problema angustiante por muito ou todo o tempo.

Outra maneira de se classificar é relacionada à forma como ele se manifesta:

Zumbido objetivo – É o tipo de zumbido audível, o qual outras pessoas podem escutar. Faz um ruído próximo ao ouvido.

Zumbido subjetivo – É o tipo de zumbido que somente a pessoa que sofre dele pode escutar. A principal causa desse tipo é a PAIR.

Zumbido pulsátil – É o tipo de zumbido que tine de acordo com o ritmo do seu coração ou pulso.

Ainda outros consideram a classificação de zumbido da seguinte forma:

Leve – quando só é percebido pelo paciente em certas situações;

Moderado – quando o paciente sabe da sua existência, porém não o incomoda;

Intenso – quando a sensação desagradável o incomoda, prejudicando-o em diversas situações ou atividades;

Severo – quando a manifestação se torna intolerável, acompanhando-o todo o tempo e dele não conseguindo se livrar, prejudicando-o ininterruptamente em suas atividades.

Há ainda quem assegure que o grau de desconforto, intolerância ou incapacidade causado ao paciente frequentemente não está relacionado com o grau de intensidade do zumbido. As alterações psicológicas, muitas vezes presentes, exercem fortes influências no agravamento do sintoma zumbido.

Existem ainda outros autores que dividem o zumbido basicamente em dois tipos de zumbido:

Zumbido gerado pelo sistema auditivo;

Zumbido gerado pelo sistema pára-auditivo (formado pelas estruturas próximas ao sistema auditivo).

Os zumbidos gerados pelo sistema auditivo são os mais comuns e podem ser originados em qualquer lugar das vias auditivas, desde o conduto auditivo externo até o cérebro. São divididos em sete principais grupos causadores.

Causas otológicas: a princípio, qualquer doença ou distúrbio do ouvido pode vir acompanhado de zumbido, desde o ouvido externo (cera no conduto auditivo), ouvido médio (otite) e ouvido interno (ruído intenso).

Causas metabólicas: alterações metabólicas, especialmente da glicose, triglicerídios e hormônios tireoideanos podem causar ou acentuar o zumbido.

Causas cardiovasculares: devem ser analisadas, pois são doenças facilmente encontradas na população em geral. As mais comuns são: anemia, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, entre outras. De modo geral, essas doenças promovem uma diminuição do fluxo sanguíneo na cóclea (ouvido interno), provocando um zumbido agudo.

Causas neurológicas: doenças neurológicas (esclerose múltipla), traumatismo de crânio, tumores, seqüelas de infecções neurológicas (meningite), entre outras, podem ser causa de zumbido. Algumas vezes, o zumbido pode ser referido na cabeça e não propriamente nos ouvidos.

Causas farmacológicas: que merecem um alerta. O American Physician’s Desk oferece lista mais de 70 medicamentos que podem provocar zumbido como efeito colateral, entre eles: ácido acetilsalicílico (aspirina), anti-inflamatórios, certos antibióticos e alguns antidepressivos.

Causas odontológicas: segundo alguns autores, a disfunção da articulação têmporo-mandibular (ATM), bem como do aparelho mastigador podem causar zumbido.

Causas psicológicas: ansiedade e depressão podem estar envolvidas com zumbido. Muitas vezes, é difícil diferenciar se isso é causa ou consequência ou mera coincidência, principalmente, no paciente que já apresenta ambos os problemas há vários anos.

Os zumbidos nos ouvidos gerados pelo sistema pára-auditivo (estruturas próximas ao sistema auditivo) são normalmente causados por alterações nos vasos arteriais ou venosos, nos músculos ou na tuba auditiva. Resumidamente, são divididos em vasculares (pulsáteis) e musculares (cliques). As principais causas são os tumores vasculares, as malformações vasculares, as contrações rápidas (involuntárias, rítmicas) de um ou vários grupos musculares e a disfunção da tuba auditiva.

Outro fator importante na classificação dos zumbidos é de acordo com a causa que os origina. 90% do zumbido é decorrente de perda auditiva, só 10% de pessoas com zumbido tem audição normal, de acordo com artigo publicado na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia.

Certos medicamentos em uso podem ser a causa do zumbido, como, por exemplo, o ácido acetilsalicílico (aspirina) e os anti-inflamatórios. Alguns pacientes podem, ao mesmo tempo, estarem tomando vários remédios (diabete, hipertensão, coração, depressão, ansiedade, reumatismo) e, nesses casos, fica difícil saber qual das medicações pode ter feito o zumbido aparecer ou piorar.

O tratamento da causa é o mais eficiente, neutralizando ou suprimindo o agente agressor, curando ou melhorando o zumbido. Muitas vezes, a causa não ficou estabelecida e para esses pacientes existem vários medicamentos disponíveis com potencial para promover alívio. Caso isso não aconteça com a primeira opção, muitas outras podem ser usadas. Entre os medicamentos prescritos estão os que agem nas células nervosas hiperexcitadas das vias auditivas, drogas que influenciam o estado emocional (ansiolíticos, antidepressivos), vasodilatadores diretos, reguladores do fluxo sanguíneo e outros.

Os sons dos zumbidos também diferem entre si. Exemplos: aerosol, cachoeira, mosquito, apito, cigarra, rádio, apito 2, críquete e sirene. Segue o link com os sons:

  • AEROSOL
  • CACHOEIRA
  • MOSQUITO
  • APITO
  • CIGARRA
  • RADIO
  • APITO
  • CRICKET
  • SIRENE

Referências bibliográficas:

Azevedo AA, Figueiredo RR. Uso do acamprosato no tratamento do zumbido: um estudo duplo-cego; Revista Brasileira de ORL 2005; 71 (5). Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992005000500012

Sanchez TG, Medeiros IRT, Levy CPD, Ramalho JRO, Bento FR. Zumbido em pacientes com audiometria normal: caracterização clínica e repercussões; Revista Brasileira de ORL 2005; 71 (4). Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/%0D/rboto/v71n4/a05v71n4.pdf

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